14 março 2021

545 - Por respeito (2)

Faz hoje um ano que coloquei esta mensagem no meu Vilasdastaipas. O que disse naquela, repito nesta. Tenho, porque não o perco, um enorme respeito pelo Dr. Mário Dias. Pelo Presidente da Junta que, após um ligeiro interregno de uma Comissão Administrativa, foi eleito para o lugar ocupado por quatro décadas pelo Vilinhas Pequenino.

Depois de ter aliviado do sofrimento muitas e muitas pessoas, sofreu para nos deixar faz hoje um ano.

Hoje como ontem, recordo o seu apoio e a sua crítica à atividade da sua Junta, com um simples telefonema, com uma mensagem breve. Parece que ainda o estou a ouvir:

Quim. Já disse ao Taibueiros. Está um buraco junto à...

Amigo, muitos buracos já foram tapados e todos os que aparecerem, também serão.


06 março 2021

544 - Mal prega frei Manel.

Corria o primeiro ano da década de 60 (acho eu, porque já vai há muito) quando a família do Custódio Vilas pegou nas armas e bagagens que tinha na Pensão Vilas e rumou a Terras de Sande, mais concretamente para o Lugar da Ribeira.

Nessa altura, embora o Padre António ainda fosse vivo, quem paroquiava a freguesia era o Dr. José de Jesus Ribeiro, homem inteligente, sabido, perspicaz e grande pregador. Ainda me lembro - porque meu Pai era quem lhe fazia os serviços de carro de aluguer - que era convidado amiudadas vezes para, do púlpito de diversas paróquias, prender os fieis com os seus sermões. Até a Cidade dos Arcebispos o acolheu várias vezes, na Semana Santa, para "pregar" na procissão do Enterro do Senhor. O Dr. Jesus Ribeiro defendia com ardor os temas abordados no sermão, não fora ele um servidor da Fé Cristã. Logo, acreditava na mensagem que passava para os fieis.

Presentemente também existem outros Drs. Ribeiro que, não nos púlpitos das paróquias, mas noutros, também tentam pregar e convencer os seus fieis (se é que os tem) dos benefícios da sua doutrina. Só que o seu sermão não tem substância, é fraco e nem mesmo o pregador tem fé no propalado. E não confiando no que diz, até escreve inverdades (para não lhe chamar outra coisa) e tenta alterar o curso da história, mercê da sua ignorância sobre o passado da Vila, dando a paternidade a coisas que não são, nem foram, dos pais que ele invoca.

"Mal prega frei Manel" e com estas pregações, outra banhada se perspectiva.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

31 dezembro 2020

543 - Mais um.


Faltam algumas, poucas, horas para terminar mais um ano. Estamos prestes a dizer adeus ao 2020 e preparados para receber o 2021. Não com beijos e abraços, mas, digo eu, de braços abertos. Com coisas complicadas que se nos depararam neste ano que agora finda, mas com coisas positivas de que o mesmo também foi pródigo. E que continuará em 2021, com coisas negativas e positivas.

O covid continuará a andar por cá: a máscara continuará a fazer parte do nosso quotidiano; a desinfeção/lavagem frequente das mãos continuará; a proibição/não aconselhamento de ajuntamentos será um facto. Claro que isto será para mim e para outros como eu, porque há muita gente que acha que "a eles nada lhes pega".

Cá pelo nosso burgo, apesar destes constrangimentos e cuidados, o ano de 2020 foi pródigo em realizações. E o 2021 continuará a sê-lo: umas para continuar, outras para terminar. Sim, estou a falar de Obras. Com "O" grande. Obras almejadas e sonhadas - para não dizer reclamadas - por todos e que finalmente estão no terreno.

A requalificação do centro; a alameda Rosas Guimarães; a Praça. As duas primeiras executadas diretamente pela Câmara Municipal de Guimarães. A última, a expensas da Freguesia. Obras de que nos podemos orgulhar, porque todos as queríamos e todos as achamos necessárias. E quando digo todos, refiro-me mesmo a todos: aos eleitores, que viram nos programas eleitorais que sufragaram, anos a fio, estas obras. E votaram nos partidos, a contar com elas.

E quando alguns, agora, as dizem como não necessárias, extemporâneas, fora de tempo, só têm uma razão para o fazer: dor de cotovelo e pouco de Taipense(s).

Bom ano de 2021.

20 dezembro 2020

542 - 4 meses depois e muitos depois

Todos (?) andamos preocupados com o COVID. Ou, se não andamos, devíamos andar. Eu ando. Muito. A coisa não é para brincadeiras. Mas não vos vou falar/escrever sobre as cautelas a ter com o dito cujo. Não, não tenho competências para tal e, para dar palpites, já anda para aí gente demais. E há palpites a mais. E cada um deles diferente do anterior. O povinho quer é tempo de antena, para covidar e conseguir algum protagonismo. Vou falar não da prevenção mas das causas laterais do bicho.

De vez em quando toca o sino - mais alguém que partiu, mais alguém que nos deixou. Mais algum que deixou a família, a vida, a vila, os amigos. É e será a Lei da Vida: nascer, crescer e partir. Aparentemente tudo normal - é e será a Lei da Vida. No entanto, este maldito COVID, além de originar a partida de alguns, impede-nos de nos despedirmos de quem parte. 

Na estação (Capela de S. Tomé) não podemos dizer o último adeus, confortar os familiares, recordar os bons momentos que passamos, dar aquele abraço aos familiares e derramar a última lágrima sobre os que partem. Tudo proibido, em nome da saúde pública.

No entanto, este não dizer adeus, este não poder confortar e abraçar os familiares e os amigos, parece que nos deixa empedernidos. Em vez de abraçar, encolhemos os ombros e balbuciamos - "Paciência, é a lei da vida". Em vez de presentes, estamos ausentes. E depois, porque o bicho nos impede de andar a vaguear pela rua, sabemos de muitas e muitos que partiram, apenas passados vários dias. Parece que o partir, com mais ou menos idade, passa a ser algo natural, passa apenas a um encolher de ombros. E ao balbuciar: paciência.

Desde estes confinamentos que nos impedem de participar nestas cerimónias, que muitas e muitos de quem eu nos quereriamos despedir, partiram sem o podermos fazer. Sem poder abraçar os familiares, sem contar a última história, sem avivar a última lembrança.

Daqui, deste espaço, um abraço aos familiares dos que partiram, sem que eu pudesse despedir-me.

13 agosto 2020

541 - Aborrecidos

Usualmente, passando por alguém e depois do bom dia, boa tarde ou boa noite, "conforme a hora e o local onde nos encontramos" - como dizia o outro - costumo introduzir o "então tudo bem?" ao qual, algumas/muitas das pessoas respondem com um "que remédio", que me deixa sempre baralhado. Por vezes e se a confiança o permite, returco com um "que remédio, não, ainda bem. Que remédio seria se estivesses doentes e... não tivesses remédio".

Sei que as pessoas atiram com a resposta que detesto, sem que a frase queira definir um estado de espírito, mas, muitas vezes, respondemos com a negativa à frente. Resumindo: somos pessimistas por natureza. O pessimismo vem, sempre, antes do otimismo, mesmo que este seja mais forte em detrimento daquele. É feitio. Mau feitio, digo.

Há gente que está sempre enfadada, mal disposta, trombuda e contra tudo e contra todos. É feitio. Mau feitio digo. Lá pela Pensão Vilas, local onde nasci, tinha os dois estados de espírito: minha Mãe sempre pessimista; meu Pai, um otimista por natureza. A minha Mãe seria feitio; o meu Pai seria estado de espírito.

Eu, por vezes, também acordo para o lado contrário. E - por feitio, mau feitio - chego à avenida da República, de trombas e desanimado. Com o passar do dia, as trombas vão desaparecendo e volta o otimismo. Apesar dos pontapés. Apesar das caneladas. Apesar das calinadas. Estas - as calinadas - que ao princípio me aburrem, com o desenrolar do dia, vou "botando elas" pra trás das costas e deixam de ter importância. "São vozes de finos, que não chegam ao inferno." E eu lá vou andando; e muitos lá vão andando; e cada vez mais, lá vão andando. E os das calinadas, vão ficando, cada vez mais sós, mais tristes e mais amargurados. E esses, esses sim, é que têm razão para ficar enfadados, mal dispostos, trombudos e, acrescento tristes, e contra tudo e contra todos.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

06 agosto 2020

540 - As férias, por pouco tempo que seja, devem ser para desligar.

Porque o ano é longo e a minha mulher precisa de descansar da lide do COVID19, fomos passar uns dias, muito poucos por sinal, fora da vila termal. O nosso filho esteve cá uns oito dias - qual emigrante dos tempos modernos pois no antigamente era um mês sempre a rufar - e alguém lá por casa, disse que precisávamos de "desligar" pois, de outra forma, não aguentávamos mais um ano.

Para espanto meu, o desligamento decretado era de computador, telemóvel e tudo o mais, que me fizesse manter a ligação ao n.º 479, da Avenida da República.

O decretado é decretado e... bico calado. Assim sendo, muni-me de leitura capaz de bulir com as árvores e despertar da luta de umas partidas de cartas de que, apesar de ter ensinado à minha adversária, levo de vez em quando umas banhadas nada agradáveis.

A verdade é que, de meia dúzia apenas consegui arrumar com dois. Uma semana é pouco. Não chega para nada. De regresso ao quotidiano, mais do mesmo. Blá blá, que não se faz nada. Blá blá que não devia ser assim. Blá blá, que o que ontem era urgência, hoje não presta. Blá, blá, blá.

Despertei para a democracia com 19 anos e meio. Despertei para "O Comércio do Porto" desde que me conheço. Despertei para a colaboração em jornais, com vinte e poucos anos. Despertei para os bloggers, em outubro de 2006 (dois mil e seis). Ainda não consegui despertar para o FB... e já estou cheio dele. Blá, blá, blá. Pessoas com e sem rosto, diariamente, vomitam ódio nesta rede, que se queria social. Criticam por criticar. Mentem por mentir. Aldrabam porque são aldrabões. Mentem porque são mentirosos... e porque ninguém está para se dar ao trabalho de os desmentir.

Que odeiem, que critiquem, que mintam, que aldrabem, que, que, que. Mas, já agora, como dizia Tiago: "Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras."
Eu, com o devido respeito, adapto a frase:
Tu tens a crítica, e eu tenho as obras; mostra-me as tuas obras, e eu aceitarei a tua crítica.

Boas Férias, para quem as tiver.

22 julho 2020

539 - O Jornaleiro, espécie em vias de extinção.

Mercê da minha bonita idade, passei por diversas transformações da sociedade/vida dos portugueses e, portanto, da minha. Na juventude e até aos 17 anos, os meses de verão eram passados na Piscina da Junta de Turismo onde, entre dois mergulhos nas horas mais calmas, atendia os Clientes no BAR, que meu Pai era arrendatário e a minha Mãe “a Patroa”.

Naquele local conheci e convivi com diversas mulheres e homens que, nos meses de verão, angariavam meios de subsistência para passar um inverno mais confortável: A Joaquina “Coturela”, a Rosa Magalhães, a Rosa da S’ Claudina, a Rosinha Jabeis, a S’ Maria Emília e tantas outras.

Nos homens o Sr. Neves, o Francisco, o S’David, o S’ Manel Duarte, o irmãos Bento e Custódio Cunha, o Américo, o Joaquim “Pito” e outros mais. Com todos convivi e com o Zé Pereira (filho da S’ Margarida Brinca) aprendi a fazer as palavras cruzadas, arte em que ele era exímio.

Durante todo o ano o Ti Manel Padre Santo deambulava, dia e noite, entre “o motor” e o resto do parque, ora vigiando para que a água não faltasse na Piscina, ora impedindo que nós fossemos às castanhas.

Na parte exterior, já não me lembro se todo o ano se apenas no verão, tínhamos os Jardineiros e os Jornaleiros. Na classe dos primeiros, ou na primeira classe, o sempre resmungão João “do talho”, para quem nada estava bem. Os jornaleiros, outra classe, cuidavam da limpeza do Parque e dos recintos desportivos, mas não mexiam no Jardim. O S’ Manel “Chouriço” e o Ser’António (de Souto) são os que melhor guardo na memória.

Esta última classe, “Os Jornaleiros”, paulatinamente foi perdendo preponderância. As pessoas deixaram de ter quintais e “as jornas” deixaram de se realizar, pese embora a classe de jornaleiros não fosse extinta e ainda hoje exista, mas noutras missões. Estes jornaleiros eram bons Fazedores de Buracos. De sachola em punho, procuravam e procuram escavar os buracos mais recônditos. Catavam o bicho que, segundo eles, estragava a terra, e adubando-a a seu bel-prazer criavam o cenário para dar o fruto que eles quisessem cultivar/fazer crescer.

Os “Jornaleiros” e os “Fazedores de Buracos” ainda por aí andam, mas a sua missão não é tratar a terra, antes pelo contrário, é criar a aridez, para que os seus serviços não sejam dispensados nem eles caiam no esquecimento e no desemprego.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.


11 julho 2020

538 - Taipas Turitermas.

Documento "coleção privada" de QV

Sem procurar muito e sem dinheiro para colocar alguém a “procurar” por mim, de vez em quando ao tentar arrumar a cave aparecem-me papéis, alguns já velhos e desbotados, mas que têm sempre alguma coisa de atual – caso queiramos que assim seja porque “quando o homem quer…”.

Este, datado de 26/05/1986, é um escrito que enviei para o jornal “O Povo de Guimarães”, onde entrei pela mão de Álvaro Nunes e onde tive outras referências para acompanhamento, nomeadamente o filho do Nicolino-Mor - Rocha também de nome e engenheiro (também) de título.

Este papel é o relato da primeira Assembleia Geral da Cooperativa Taipas Turitermas, criada em 1985 quando Manuel Ferreira era Presidente da Câmara e assumiu a presidência provisória da Cooperativa até as eleições relatadas neste papel/fotografia, que se efetuaram em maio de 1986. No papel destaco a postura do representante do acionista maioritário de não votar qualquer assunto da Assembleia, de modo a deixar na mão dos cooperantes os destinos da Cooperativa.

Quis o destino, ou o acionista maioritário, que o nome Ferreira voltasse a presidir à Cooperativa mais importante do concelho. Depois de Vereadores da Câmara, de um Presidente de Junta, de candidato a Presidente de Junta e de um membro com dez anos de direção da cooperativa, a confiança política para o cargo volta a cair num Vereador. Quando escrevo confiança política é isso mesmo que quero dizer. Numa casa onde eu sou o principal responsável, só posso delegar em quem acredito e confio. Nesta nomeação é apenas de estranhar que as carpideiras, que em mandatos anteriores queriam a Junta de Freguesia a presidir à Cooperativa, agora tivessem esquecido esse pormenor.

Conheço a Vereadora Sofia Ferreira há pouco tempo. Já quanto aos progenitores, o caso é diferente, mercê do mediatismo de um e do trabalho nas Caldas das Taipas de outra. No entanto, nos poucos tempos de convivência, vejo na senhora Vereadora algo mais que a confiança política do Presidente de Câmara. Vejo nela alguém interessado, dialogante, persistente e que será competente para assumir o leme desta nau.

Pela minha parte, e desde 1986, contará com a presença nas Assembleias Gerais e nelas apoiar as medidas que achar boas e discordar das que achar piores. Na sua nomeação tenho uma certeza: fará o melhor que puder e souber, para defender a Cooperativa, mas também as Taipas, o concelho e o nome de quem tornou possível, no longínquo ano de 1985, a reabilitação das Termas das Taipas.

Seja bem vinda, senhora Presidente.

Eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

29 junho 2020

537 - O Parque, as Noras, a Levada... e tudo o vento levou.

Foto: QV

Se no princípio era “O Parque” - com terrenos adquiridos pela Comissão de Iniciativa e mandado construir pela Junta de Turismo - a apetência de todos aqueles que não tinham possibilidades de frequentar “a Piscina”, paulatinamente - o mesmo é dizer pouco-a-pouco - “o areal, o cu-de-cão, o Poço de S. Gemil, a Prancha, o Penedo Rachado e as Levadas” e mais a montante “as Noras”, foram sendo substituídas pelo “Amâncio das Águas” do lado de Sta Eufémia e pela “Praia Seca” do lado das Taipas.

Nunca fui grande frequentador “do areal”, exceto para utilizar os barcos do S’ Zé Mentiroso, quando haviam alguns tostões no bolso ou, então, ao final do dia para ajudar a levá-los para o ancoradouro, na outra margem.

As noras, mais na direção da casa de meu Pai, ali junto aos Banhos Velhos, com areal do lado de S. João, atravessando os campos do Canto de Cima, de Baixo e da Seara, não eram de grande preferência, pelo que, ao final da tarde, terminado o trabalho, a Praia Seca era o local de convívio e de verdadeiro banho dos trabalhadores que, munidos de sabão e toalha, iam tirar o pó que as cutelarias lhes apegavam ao corpo durante o dia de trabalho e davam duas de treta com as raparigas mais novas que, ali também, lavavam alguns trapinhos.

Assim, seria perder uma oportunidade de agradar aos eleitores, que as candidaturas à Junta de Freguesia, a partir de determinada época, não se virassem para a Praia Seca. Ainda nos finais dos anos 90, princípios de 2000, nos lembraremos das manifestações organizadas por os seus frequentadores e outros, relativamente à falta de areal na Praia Seca.

Os programas eleitorais – uns mais objetivamente, outras mais ao de leve – abordavam o tema Praia Seca como aliciante para os saudosistas da mesma, na hora do voto, pensarem que tal seria possível. A Praia Seca e “a Praça”, mais tarde denominada de Mercado, eram trunfo para convencer os eleitores de que lado deveriam estar.

Finalmente as promessas estão a tornar-se realidade. O Mercado verá a sua requalificação e a Praia Seca, já com uma aparência agradável, ainda este verão será brindada com Bar de Apoio e Casas de Banho.

Pena é que muitos daqueles que utilizam o espaço não tenham os cuidados e deveres que deviam ter. Usam-na como, eventualmente, farão nas suas casas, conspurcando o local com tudo quanto é dispensável, sem ter o cuidado de acondicionar os sobrantes e as embalagens nos locais próprios. Brincando com o trabalho dos outros, obrigam a uma limpeza diária, que seria desnecessária se o espaço fosse utilizado como mandam as regras da boa educação e civilização.

Se a limpeza não fosse feita um ou dois dias, seriam os primeiros a reclamar pela sujidade.

20 junho 2020

536 - Vai ou não vai?

Foto RFX

Tenho pena. Lamento pela infelicidade dos outros. Há momentos em que, na vida, sentimos alegria por algo que acontece. Não vou falar do nascimento - nosso ou dos nossos filhos - do casamento, de e da, mas de uma coisa que TODOS e reforço TODOS, os Taipenses que se prezem, devem sentir alegria e gritar alto e bom som: finalmente.

Exato cara e caro amigo. Hoje, como ontem, lembro a Lurdinhas do Peixe - mãe do Chico Magalhães; o meu tio e padrinho - o Vilinhas Pequenino; a S' Rosinha da Pita; o Manequinhas e o Zequinha do Talho.

Mas também a senhora Maria da Seara, a Engracinha do Canto e tantas outras senhoras que me habituei a visitar nas segundas-feiras, dia "da Praça". Historiador é o meu primo António José e malabaristas de acontecimentos, outros mais que por aqui vamos lendo, mas a história daquela "Praça", sem ressabiamentos doentios e outros "mentos" que tais, é feita de pessoas, de gente, de povo, que ao longo de  décadas por ali andou.

Fruto do desenvolvimento natural, "a Praça" perdeu as feiras, das segundas. Continuaram ainda por alguns tempos os talhos, pela mão de alguns herdeiros. Com o tempo também esses se foram. Como dizia ontem o Presidente da Junta, excetuando o S. Pedro, "a Praça" serviu, num local central e emblemático das Caldas, para estaleiro da Câmara e da Junta.

Ontem - e aqui o título do "Vai ou não vai" - o sonho de muitos, que deveria ser de todos, tornou-se realidade. A requalificação do que se designou chamar de "Mercado" vai avançar. O estaleiro vai acabar. Irá existir "outro" estaleiro, para apoiar A Obra que vai nascer.

E aqui nasce a nódoa na camisa. Esquecendo que este projeto foi sufragado por larga maioria de residentes, taipenses ou não, continuará a saga daqueles que muito disseram iriam fazer "à Praça" e nunca tiveram engenho ou arte para lhe mexer numa palha.

Fruto da poupança de delegações de competências, dos anos de 2018 e 2019, a que se juntará a de 2020 e ainda dum subsídio extraordinário, a requalificação vai começar.

Em hora de alegria, de felicidade, pelo conseguido - que sem o pataco compromissado não seria possível - haverá vozes ou escritos no anonimato a contestar que "a Praça" volte à dignidade de outros tempos.

 E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando

04 junho 2020

535 - Mais valia estar calado

Estava prestes a findar o terceiro quartel do século passado quando ingressei no mundo do trabalho. Como muitos dos meus/nossos conterrâneos, montei na camioneta do Ferreira das Neves, rumo "ao Pevidém". No início do último quartel do século XX, regressado "da tropa" mudei de secção e passei a trabalhar "no control", que era uma secção que, com o desenrolar dos tempos, sofreu muitas mudanças de nome: Secção de/o Pessoal, Serviços de Pessoal, Departamento de Pessoal, Recursos Humanos, etc, etc, etc.

Nessa secção, entre outros assuntos, era onde o Advogado da Empresa "fazia os processos disciplinares", que eram frequentes - estamos a falar de dezembro de 1976 em diante. Por vezes, na falta ou impedimento da Colega mais vocacionada para estes assuntos, servia "de escrivão nos autos" e o causídico, depois de em voz alta identificar "para os autos" o nome, profissão etc e tal do inquirido, normalmente terminava o ditado com a frase: e aos costumes disse nada.

Por vezes questiono-me se é pior "aos costumes dizer nada" ou estar calado. Ou ignorar, como sou muitas vezes aconselhado. Mas, normalmente, as minhas entranhas revolvem-se com as acusações, que eu acho, infundadas. Mas, ainda aí, podemos - embora a mim me custe muito, muito, muito - ignorar as "infundações".

Agora, vir para a imprensa tentando ofuscar o trabalho dos outros e a sua incompetência (dele) e porque não tem mais nada para falar, escrever mentiras, aldrabar, falar do que não sabe, deturpar os factos, perdoem não posso ficar calado. Isto é repugnante.  

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

22 maio 2020

534 - De passo a passo...

Imagem: Google editada.
Paulatinamente vamos caminhando, não para o descongestionamento total, mas para o aliviar de algumas restrições, que foram absolutamente necessárias. Como em tudo aparecem "os heróis" que dizem não precisar de medidas nenhumas e que tudo isto não passa de "uma treta". Felizmente outros houve que se precaveram e, assim, permitiram aos heróis continuar com as suas diatribes.

Algumas/muitas alterações vão saindo, não a conta-gotas como seria desejável mas, quase sempre, em catadupa fazendo com que, ainda sem absorver as primeiras, já saltam as segundas e as terceiras, num ritmo difícil de acompanhar a qualquer cidadão mais letrado, quando mais ao cidadão comum nos quais me incluo.

Se as medidas restritivas tinham de ser implementadas - como dizia o senhor Presidente do Conselho  - "rapidamente e em força", já os desconfinamentos deveriam ser com conta peso e medida, ou seja, pesados e medidos com todo o cuidado, para não dar na confusão que dá e que cai para o lado dos menos protegidos/cautos/informados.

Repito o assunto da minha última nota: às Juntas de Freguesia, estas decisões rápidas e do bota que se faz tarde, cria problemas de logística que apenas a boa vontade e a determinação dos autarcas e dos funcionários das juntas -  aquelas que os têm - fazem com que sejam ultrapassadas. Não é por mais um ou dois dias de confinamento, que o gato ia às filhoses.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.


08 maio 2020

533 - Descongestionamento. As Freguesias também levam com o bicho.

A uma velocidade supersónica - ou não - esta coisa a que chamam "situação epidemiológica do novo Coronavírus — COVID 19", tem alastrado por esse mundo fora.
Como em tudo o que é novo temos de "apalpar", mais às escuras ou menos às claras e conforme o tempo vai passando, vamo-nos adaptando às variações, quase todas em "dó maior". Dói mais aqui, dói mais acolá, há mais infetados aqui e mais infetados acolá. Com uma mutação constante - não me refiro ao bicharoco - o que ontem era verdade hoje é mentira e assim sucessivamente.

Tudo isto se compreende em tempo de grande mudança e de algo que é novo. Experiência e inexperiência, a primeira que se vai adquirindo e a segunda que é factual, há pessoas "nas rédeas do poder", que nunca lhes passou pela cabeça, que haveria mais vida (morte) para além do défice.

Como dizia o meu amigo Augusto Mendes, na sua crónica mensal do RFX, as "Grandes mulheres" devem ter a cabeça à roda, não pelo que as vozes sempre simpáticas e atentas às dificuldades dos outros, vão botando para a opinião pública, mas pelo bicharoco que lhes caiu, sem pedir licença, no prato da sopa ou no regaço, como candidamente, se dizia nos "bons" velhos tempos.

Também às Juntas de Freguesia lhes tocou um bom pedaço do bicharoco. Medidas urgentes, decisões rápidas, bota que se faz tarde, os eleitos de todas as freguesias, uns com mais outros com menos possibilidades, quadros, apoios, colaboradores, se desdobram em homens dos sete instrumentos e tudo fazem para minimizar a coisa. Não estou a defender a minha freguesia ou o elenco de que faço parte, mas TODOS os membros de TODAS as freguesias que, com este grande problema, se tornam, também, verdadeiros super-homens.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

04 maio 2020

532 - Empréstimos.

Advogadosinsolvencia.pt
Corriam os anos sessenta e na EICG, no Curso Geral de Comércio, com doutoramento em Contabilidade, a senhora D. Virgínia e outros professores, ensinavam os alunos a preencher cheques, letras, livranças e outros doc's, para enveredar pela carreira de Empregado de Escritório. Existia um termo utilizado, na parte de trás das letras e livranças que dizia: "Por aval ao aceitante". Quem avalizava a letra, se o hominho que pediu o dinheiro não pagasse, pagava o avalista.

Aprendemos a constituição de sociedades: Fulano e Cª; F. e Cª, Lda; F. SARL e uma, muito engraçada e que era: "Em comandita". Nos exercícios práticos aprendíamos alguma coisa. Um exemplo:
António, (que não eu) queria montar um café, mas o dinheiro não chegava. O Joaquim (não eu) tinha um dinheirito de lado e queria rentabilizá-lo.  Em conversa o "A" disse ao "J" da sua dificuldade, este ofereceu-se para entrar na Sociedade e o "A" queria ser gerente e ter plenos poderes na gestão, apesar capital ser 50-50. Assim se fez.

Passados dois anos, a coisa estava preta, a empresa sem papel e o "A" disse ao sócio que era preciso cacau fresco e que não tinha crédito na Banca. O "J" não tinha disponibilidades e como a gerência/responsabilidade era do "A", aquele não podia arriscar. Soluções? Contrair empréstimo na Banca, que pedia avalista e só podia ser o "J" a atravessar-se no empréstimo. Este, como tinha mulher e filhos para criar, aceitava, na condição de alterar o pacto: a Gerência passaria a ser conjunta, de forma ao "J" ajudar a colmatar os erros da gestão do "A" que, tudo indicava, iria continuar um desastre.

Depois desta história a pergunta que se impõe: Então meus senhores, não acham bem que o "J" se precavenha, para que as coisas mudem e o seu dinheirinho, mercê do aval, não vá pró teto?

E eu NÃO vou andando por aí e, por respeito ao Covid 19, mantenho-me por casa.
P.S. - Para os mais distraídos, asseguro: "Qualquer semelhança - deste escrito - com a realidade, é mera coincidência"

29 abril 2020

531 - Organizem-se. Não percam a oportunidade de ajudar.

pt.slideshair.net
Todas as pessoas que, alguma vez, estiveram numa organização, sabem que a coordenação é fundamental em qualquer atividade, pelo que o "des" é perfeitamente dispensável e até nefasto. Um exemplo simples e que todos perspetivamos:
Criamos uma comissão de Festas ao Santo António. Somos dez. Primeiro problema. Há necessidade de fundos para colocar o rancho a tocar. Como fazer? Fácil. Vamos pedir dinheiro porta a porta.
Como estamos imbuídos de boa vontade e queremos fazer, naquela mesma tarde/noite quase todos saímos porta a porta, exceção ao Tónio que estava a trabalhar.
Aprazada nova reunião para daí a 15 dias eis o resultado:
 - Pá, assim não pode ser. Quando cheguei à porta do Zé Manel, sabeis o que ele me disse? - Porra pá, outro?! Já aqui estiveram seis a pedir pró mesmo. Organizai-vos.

Moral da história: falta de organização.
Resultados: todos a discutir com todos e... adeus que o rancho já não toca.

É assim na vida. Organização. Cooperação. Se não nos organizarmos - ou se não nos juntarmos a quem está/é organizado, cooperando - todos os nossos esforços, toda a nossa boa vontade se vai por água abaixo. É tempo perdido. Medidas avulsas, nunca deram resultado e sem retaguarda, muito menos.

E eu vou andando por aí e - crente como sou - ainda acredito na organização e cooperação.


24 abril 2020

530 - Fazemos bem ou mal?

Imagem: Google
Na Ciência, vemos empresas, laboratórios e institutos a porem os recursos à disposição para acelerar as coisas. Na economia e na política, vemos cada um a tomar decisões sem consultar os outros.

Li uma entrevista de António Portela CEO da BIAL à Visão. Dela retiro alguns excertos e, obviamente, o Lead desta publicação.
Considera esta crise "sem precedentes" e que não havendo histórico "ninguém sabe o que vai acontecer. É sempre difícil, em situações de crise, tomar decisões e saber qual a melhor solução". O Governo teve "algumas hesitações no início" mas que se sente "relativamente tranquilo com o que tem sido feito." No geral "o Governo tem tomado as medidas certas. E os resultados demonstram que não estamos numa situação tão desconfortável como a de outros países."

Retiro, ainda, a concordância que o SNS provou ser um pilar essencial, embora precisando de ser melhorado e complementado. Há necessidade de  "continuar a fazer investimentos em mais profissionais de saúde e em novos equipamentos." E não sabendo como tudo vai ficar, acha que se pede imenso aos profissionais de saúde e que estes "vão ter de descansar" pois, "não podem continuar a trabalhar sete dias sobre sete dias".

Estamos todos confiantes que vamos superar o vírus, mas há quem diga que o pior ainda está para vir. Duma coisa - e fazendo de comentadeiro sem conhecimentos, como muitos - podemos estar certos:  Se não tivermos cuidado, com o necessário levantamento de algumas restrições, aí sim, o pior estará para vir.
Conciliar a abertura necessária para a economia, com os cuidados com a saúde, será a batalha que todos teremos de travar.

E eu, embora não andando por aí, por simpatia, continuo a assobiar.



09 abril 2020

529 - Ai e tal e coisa.

Não sou muita daquelas histórias (pra não utilizar um substantivo feminino que m'apetecia) de paz e amor, mas sou sensível - e muito - a manifestações de amizade (eu disse amizade e não imposturices)

Abomino aqueles que fazem questão de dizer, por palavras, que são muito, muito, muito, nossos amigos. Mas, como dizia, ou antes, cantava aquela senhora, parole, parole, parole, leva-as o vento. 

Com esta medida de ficar por casa, que alguns respeitam e outros nem por isso, há uma infinidade de mensagens que nos caem no prato da sopa e fora das horas das refeições. E depois, ainda por cima, repetidas ou seja, reencaminhadas. Tenho alguns amigos - que não me batem nas costas nem apregoam que o são - que me vão disponibilizando alguns periódicos. Infelizmente, nem esses consigo ler, passo apenas os olhos. Sim, porque isto de ficar em casa, dá o seu trabalho e as suas canseiras.

Mas, há notícias que eu não fico/não posso ficar, indiferente. Li que, hoje, iam a reunião de Câmara relativamente às Obras Públicas de Requalificação do Centro Cívico das Taipas, a Repartição de Encargos e a Adjudicação e Aprovação da Minuta do Contrato. E ainda, que, devido à situação de emergência financeira iam ser votadas propostas de transferência de verbas para o Clube de Rope Skipping das Taipas e para o CART de, e respetivamente, €1.360 e €5.520.

A finalizar, as cooperativas do concelho, Vitrus, Casfig, Tempo Livre, Turitermas, Turipenha, A Oficina e A Fraterna, enviaram todas o Relatório e Contas aprovadas em meados de março e referentes ao ano de 2019. Aqui, deste parágrafo, tive de ler várias vezes, para perceber. Até que alguém me disse: - São as contas, pá.

E eu vou ficando por aí e, por simpatia, vou acreditando nas amizades e nas verdades... de cada um.



03 abril 2020

528 - Estou pasmado.

Com uma prontidão que não é habitual, pois cá prá Lameira os correios são preguiçosos - digo Correios, não Carteiros - recebi cá em casa o Reflexo, a que tenho direito, não por ter labutado lá uma dezena d'anos, mas porque pago €10,00 anuais para o ter.

Foto: QV
Foto: QV
Porque a quarentena me dá uma trabalheira do caraças, só lhe passei os olhos por cima, apesar de, desta vez, os trabalhos publicados serem para muita leitura. Dessa leitura na diagonal, não me merecem grandes reparos, os reparos - passe a redundância, mas são redundantes - do Cronista Manuel Ribeiro, nem do líder da Bancada do PSD/CDS-PP, que continua a dizer sempre as mesmas coisas: nunca nada está bem; não se compreende que; seria melhor se.

Bem, vou deixar o Dr. Ribeiro para segundas núpcias - mas que viva muitos anos e feliz com a minha amiga Lígia - e só vou escrever uma coisa: Que é isto? Que se passa? Qual a ideia? Qual a intenção?

Tenho respeito por toda a gente, até por aqueles que me respeitam pouco/ou nada, quanto mais por aqueles que sempre foram recíprocos ao meu tratamento, mas há coisas que não são, mesmo, para entender.

Há assuntos que conheço pela via institucional e que, por isso, não os comento. Depois há o que é público, que posso comentar. Pois bem, querem que lhes diga? Não comento o privado/institucional e, neste caso - para já - nem o público.

Deixem-me - não, não é trabalhar - estar calado. Apenas um comentário: Por amor de D(d)eus. Assim não vamos a lado nenhum. Ou antes, vamos, vamos todos ao charco, vamos todos chafurdar.

E eu NÃO vou andando por aí e, por simpatia, NEM sequer assobiar.

31 março 2020

527-A - Efetivamente é a altura.

É politicamente correto fazer críticas ao que está mal, embora - no meu entender - a crítica deveria ser acompanhada, do que entendemos ser a solução para o que criticamos.
Infelizmente para a sociedade - e felizmente para as redes sociais - a crítica avulsa é uma constante e as soluções nunca aparecem. É fácil. É barato. Dá audições (audiências, não rimava).
Estou em casa há cinco meses - a mim já me parecem - respeitando as recomendações de uns e as imposições de outros.
Daqui vou dando o meu contributo: Pequeno. Insignificante. Irrelevante.
Mas outras há, que todos os dias multiplicam por milhões, o pouco que eu faço. Com entrega. Com firmeza. Com dedicação. Com ausências na sua vida familiar.
Outros ainda, com tudo o que acima digo e acrescentando: ausências na sua atividade profissional. Estes sim, SEMPRE PRESENTES - e não é slogan de campanha eleitoral. É a realidade.
E se há muito "chão", que não dá rigorosamente nada, pois está seco, estéril e é fraco, existe próximo de nós, de mim, outros que dão tudo e mais alguma coisa.

Daqui, do Loteamento do Pinhel, envio o reconhecimento público, para aqueles que eu abandonei, para estar em casa:
À Rosinha, ao André a ao Berto. Aos dois primeiros porque foi-lhes proporcionado "ficar em casa" e disseram não. Ao Berto, porque não podia ficar em casa e dedica-se todos os dias da semana, incluindo sábados e domingos, a proporcionar condições para que outros, inadvertidamente, andem a laurear o queijo.
Ao Luís Soares, Cristina, João Manuel e Patrícia. Obrigado pelo V/ esforço. Obrigado pela V/ compreensão. Obrigado por não lançarem a albarda ao ar. Obrigado por ouvirem/lerem tantas ignomínias e se manterem no V/ posto.
É um prazer trabalhar convosco. Poucos (nenhuns) podem avaliar o V/ trabalho. Então, nestes últimos dias, as V/ canseiras e os V/ desgostos. Mas eu posso. Porque Vos conheço. Porque, de longe, os sinto.

A par destes 7, mais o Augusto e o José Fonseca. Sem obrigação, mas por espírito de missão. É um prazer trabalhar convosco.

Fica este registo, que vale o que vale. Mas é o que eu sinto. Porque sei das "coisas". Porque não me limito a "mandar palpites" sobre tudo. Obrigado pelo V/ trabalho. Um dia, todos agradeceremos.

E eu, como não devo andar por aí nem sinto vontade de assobiar... só eu sei, porque fico em casa.

29 março 2020

527 - Eventualmente, não seria a altura.

Politicamente poderá não ser correto, mas o "politicamente correto", acho que foi chão que deu uvas. Aliás há muito "chão", que não dá rigorosamente nada. Está seco. Estéril. Fraco.

Não vos vou falar do coronavírus, mas, por causa do coranavírus. Faço parte do Conselho de Administração de uma Empresa, eleito pelos Acionistas numa Assembleia Geral em finais de 2017. Previamente apresentado um Plano de Ação, este foi aceite pelos acionistas detentores de 2.241 participações. O CA é composto por 5 membros e o Conselho Geral por 13 individualidades.

O CA tem um Presidente e quatro Vogais, que superintendem em várias áreas: Finanças, Agricultura, Investimento, Ação Social, Tecnologias de Informação, Educação, Economia e outras áreas.

Mediante o desempenho dos seus membros - tipo "O Prémio", da Sociedade Martins Sarmento - são distribuídos dividendos, não declarados, pelos membros do CA que mais se notabilizaram no mês de apresentação do Relatório e Contas.

Neste mês, foram contemplados 3 membros do CA, nas seguintes áreas:
Pelo desempenho escrupuloso no cumprimento da Lei: Presidente do CA;
Incentivos à Agricultura de Subsistência: Vogal com a Pasta das Finanças. (este prémio por imposição da responsável, foi partilhado com um membro do CG); e
Tecnologias de Informação: Vogal com a mesma Pasta.

Contrariando o habitual, foram ainda contemplados, dois colaboradores dos serviços de secretaria e um externo.

E eu vou, não, não vou, estou em casa mas, por simpatia, também vou assobiando.

* às 10H35 de 30/03/2020, foram trocados três "de" e "do".




14 março 2020

525 - Por respeito

Foto: Particular dos Vilas
Tinha pensado publicar uma coisa hoje.
Por respeito ao Médico Mário Dias - e à sua família - fica para outra altura.
Depois da sua passagem neste lado e já estando do outro, não preciso de dizer nada, nem ao Márito do senhor Doutor dos Banhos, nem à Família.
O "Mano Velho" não me ouve. A Eduardinha do senhor Faria da Ribeira, a irmã e os irmãos do Dr. Mário, sabem o que eu sinto. É suficiente.
Hoje e amanhã, não estarei presente nas cerimónias. Por respeito a ele e à Família.
No entanto, o que eu sinto está cá. E recordo o que, de bom, tive o privilégio de viver com ele:
Na Piscina do Turismo; nas Termas; nos Bombeiros; no CART; no CCTaipas; na Política;, no, no, no.
Um abraço de conforto para a Família... e para mim.

10 março 2020

524 - Ainda... O Momento

Foto: A.Mendes
Felizes os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Costumo contar uma história - segundo os meus filhos e a minha mulher, dezenas de vezes - d'um peregrino, no tempo em que andava a roda à sexta-feira, com diretos(?) televisivos e as bolas contadas em tom sonoro, que todas as semanas e antes d'andar a roda, ia à igreja e se virava para o Cristo Crucificado e lhe pedia.

 - Senhor, faz com que me saia a lotaria. A ti não te custava nada e a mim fazia-me muito jeito - repetindo esta prece, semanas seguidas e sempre na sexta feira antes d'andar a roda.

Passadas muitas semanas, que se foram avolumando em meses e em trimestres, se não em ano, numa bela sexta o homem voltou com a habitual prece:

 - Senhor, faz com que me saia a lotaria. A ti não te custava nada e a mim ....

Fartinho da prece - digo eu - o Cristo, fazendo uso de um milagre, disse do alto da Cruz em voz suave mas a roçar a indignação:
 - Ó homem, santa paciência! Pelo menos compra a cautela...

Moral da História:
Sem comprar a cautela, de certeza absoluta que a Lotaria não me pode sair;
Não sendo sócio do "Clube", não posso participar nos atos deste.

Acabada "a moral", resta-me perguntar:
Que sentido faz - entre outras coisas - montar um circo e apregoar artistas se eles não aparecem no espetáculo?

P.S. - Para os mais distraídos, asseguro: "Qualquer semelhança - deste escrito - com a realidade é mera coincidência"

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

24 fevereiro 2020

523 - O/Um momento

Foto: Achado
Há factos e pessoas que, pela sua importância, não me passam ao lado.



 - Oh, lá vem este, com a conversa do costume. Falar por enigmas - dizem os meus amigos que são leitores desta coisa. Ora bem. É como eu gosto. Como dizia o outro "é conversa para inteligentes, meu amigo, por isso, é normal que não entendas".

Já o disse/escrevi muitas vezes, que sinto orgulho por ser das Taipas e que, quando alguém de cá aparece na ribalta, fico contente. Pelas Taipas, por ele e, obviamente, por mim. E por esta ordem.

Por outro lado, fico triste, quando alguém que está nas condições do 3º parágrafo, se deixa apanhar por alguns caçadores furtivos, saídos de urgência do armário. Escondidos atrás da moita, pensando ser o momento ideal para botar abaixo aquilo de que nunca gostaram, contam espingardas mesmo onde elas não estão. E, não olhando a meios para atingir os fins, tiram alguns coelhos da cartola. Depois da bonança e vindo a tempestade - sim, sim, por esta ordem - voltam para o conforto do seu armarinho e aguardam pacientemente, que a água passe duas vezes debaixo da ponte.



Fico preocupado. Gente que foi longe, que podia ir mais longe e que, num momento eventualmente de desânimo ou de euforia, se deixa apanhar pelos caçadores furtivos, caindo na esparrela que lhe montaram. Esses, nada mais querem que destruir aquilo que outras pessoas construíram.

P.S. - Para os mais distraídos, asseguro: "Qualquer semelhança - deste escrito - com a realidade é mera coincidência"

E eu vou andando por aí e, por simpatia também vou assobiando.

09 fevereiro 2020

522 - A vida é um ciclo?

Foto: Achado
A vida - tudo na vida - tem um ciclo. Nascimento, crescimento e apagamento. Não podemos morrer antes de nascer, ser velhos antes de sermos novos.
Quando nos aproximávamos da dezena de anos, queríamos, rapidamente, atingir a segunda década. Mas tínhamos de esperar. Depois era "a tropa". Lá íamos/fomos alguns. Chegados, uns tinham pressa de casar, outros de gozar a vida. Casa dos trinta, quarenta, novos horizontes, novas ideias, novas esperanças. Aqueles que chegaram/chegamos ao "sexageneralato", sentimos que estamos a atingir o limite, mas achamo-nos mais maduros, menos impetuosos, mais calmos mas, também, menos condescendentes e mais preocupados com o todo, esquecendo o nós. Tudo terá um tempo e, se quisermos, há tempo para tudo.
Depois de Rosas Guimarães e João Antunes Guimarães, que fizeram - entre outros, é certo - aparecer as Caldas das Taipas no mapa, achavam, os nossos antepassados, que nunca outros existiriam. Enganaram-se. Felizmente estavam enganados. Depois do encerramento das Termas, pensou-se que as Taipas nunca mais seria "Vila Termal". Enganamos-nos. Felizmente estávamos enganados. Depois da construção do Ringue de Patinagem e da sua deterioração subsequente, achávamos que nunca mais teríamos ringue. Enganamos-nos. Felizmente estávamos enganados. Depois da luta do Padre Manel - e outros - para conseguir o ciclo para as Taipas e com a degradação dos "caixotes" pensamos que nunca teríamos outro. E uma Escola Secundária - lol isso é só para Guimarães. E duas primárias novas, nunca. E então, muito menos, alguém imaginar que quando todos - sim TODOS - queriam "tirar o amianto do Ciclo", aparecesse um teimoso a querer uma ESCOLA NOVA. Tudo tem/terá um tempo.
Tudo e todos temos um tempo, que pode ser mais longo ou mais curto, mas é um tempo. Como diz um amigo meu "a vida é uma maratona". Concordo e também acho, que tudo tem o seu tempo. Não devemos apressar o tempo, até porque, tentando-o, podemos perder tudo. O tempo atual que podemos/devemos viver intensamente e o tempo futuro.
Escrevi aqui há dias neste blogue (12 de janeiro) a respeito do Virgílio: Partiu um dos MAIS, da minha geração. Um pouco antes, (02 de janeiro) escrevi: Taipas Turitermas. No ano passado (12 de novembro) divaguei: Carta aberta a... quem quiser perceber.
Hoje, nesta tarde de inverno, divago sobre a vida. Que é um ciclo. Que passa uma vez. Que não podemos perder. Que não devemos estragar.
Sempre tive pavor, ao ter as coisas e perdê-las. A família, os amigos, os haveres, a saúde. Mas o meu pavor aumenta, quando vejo pessoas estragar as oportunidades que a vida e o trabalho, lhes deram. Pessoas que fizeram muito e que poderiam fazer muito mais. Pessoas que, num momento menos bom e porque se sentiram atraiçoados e injustiçados, dão um passo em frente, mas esse passo pode conduzir ao abismo.
E, com esse passo, queimam o seu futuro e levam, atrás de si, todo um projeto comum e todo um trabalho de muitos.
E porquê? Porque não souberam esperar.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.

 

24 janeiro 2020

521 - As omeletas e os ovos que não há.

Desde pequeno – e apesar de ter nascido e passado os primeiros seis anos de vida, na Pensão Vilas – que a falta de coisas materiais, nomeadamente a comida, não são um OVNI para mim.

Ora a falta de pão; ora de carne; ora do peixe - que não a sardinha – foi algo que fui e vou acompanhando ao longo dos tempos. Sentindo-o na carne – na minha carne – ou vendo-a no semelhante, a falta de, é coisa sempre presente (salvo seja).

Mais espigadote, pelo segundo quartel dos anos 70, era a falta de combustíveis que a todos afligia e também desde essa altura, fui aprendendo, profissionalmente, que sem matéria prima, não é possível entregar o produto acabado.

Trinta anos passados após a assinatura dum contrato a dois na Capela de S. Tomé, ou Igreja Paroquial de Caldelas, tenho confirmado que a falta disto ou daquilo – mesmo que momentânea – é algo que nos constringe os movimentos. Desde essa altura que o “não posso fazer omeletas sem ovos”, entra no meu vocabulário.

A par da falta de meios ditos materiais, toda a gente com experiência de vida – e de boa fé – sabe que a nível doméstico, empresarial ou até desportivo, nada se faz sem planeamento. Planear com o que se tem ao dispor, é tomar opções e ver onde está a urgência, o que tem de ser feito na hora e deixar para mais tarde aquilo que é menos urgente. É urgente ir buscar os ovos à Olivinha da rua do Picão, se quero fazer as omeletas; é urgente ir buscar o pão à padaria para o almoço; é urgente ir buscar ao fornecedor a matéria prima, se quero acabar a obra; é urgente levar o filho ao médico, se ele está doente; é urgente comprar umas chuteiras, ou patins, para o atleta que não tem.

Menos urgente será ir buscar flores para colocar na sala; comprar vinho de marca; comprar carrinha nova para levar mercadoria; levar o filho a passear; comprar uma vitrina para colocar as taças.

A gestão corrente, da nossa casa, empresa ou clube desportivo é feita de opções. Opções conscientes. Primeiro o que é urgente, depois o que é menos urgente. As opções serão de quem tem a responsabilidade de as tomar. Para mim boas; para ti más.

O que é difícil, é governar a nossa casa, ou a dos outros, com piadinhas foleiras e de quem tem pouco que fazer.

E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.