Um Blog de António Joaquim Oliveira, descendente de Francisco de Oliveira, o primeiro Vilas das Taipas.
13 julho 2023
560 - As palavras que nunca te direi
09 julho 2023
559 - O Fernando, em tempos conhecido como 85.
21 abril 2022
558 - Em alta
![]() |
| Foto: RFX adaptada |
Vi na passada semana, no Diário da República, o Despacho 4374/2022, onde o MAI designou "como técnico especialista deste Gabinete o mestre João Manuel Fernandes da Silva Ribeiro para exercer funções na sua área de especialidade."
14 abril 2022
557 - Lembranças de Páscoa(s)
Há mais de cinquenta anos que fiz parte do compasso pela primeira e única vez. Tenho poucas lembranças. Sei que começamos perto "do Pinto Lisboa", que almoçamos na Casa quase a estrear do Dr. Augusto Dias e do Reitor, a impor o ritmo, que as casas eram muitas.
Numa das primeiras casas - e disso lembro-me bem - o patrão da mesma presenteou-nos com carne cozida e broa que, àquela hora da madrugada, foi que nem caldo.
Tudo isto para dizer que quem repartia o presigo era o S' Manuel Servo. Homem bom que estávamos habituados a ver na Igreja e, algumas vezes, a dormitar na sacristia. De baixa estatura, estava ali, para quem era rato de sacristia, um grande homem, que não deixava ninguém colocar o pé em ramo verde. Nos funerais, quando nos debatíamos para "levar a opa" a voz do S' Manel era respeitada.
Aos 95 anos o S' Manuel deixou-nos. Vai amanhã pelas 18H00 para o local onde, com a cruz ao alto, acompanhou tanta gente. E eu, lá estarei. Para me despedir dum homem de tamanho pequeno, que nunca precisou de se colocar em bicos de pés, para ser visto. Paz à sua alma.
01 março 2022
556 - Cantata de paz.
Um poema da senhora D. Sophia de Mello Breyner Andresen eternizado, para o povo do meu tempo, pela voz e viola de Francisco Fanhais (padre), a "Cantata da Paz" versava:
Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. (...) Relatórios da fome, (...) O caminho da injustiça. (...) A linguagem do terror. (...) Vergonha de nós todos.
Dos povos destruídos Dos povos destroçados Nada pode apagar.
Ouvíamos estes versos dedicados à Guerra no Vietname e em África, poema escrito para uma vigília na famosa Capela do Rato.
23 fevereiro 2022
555 - Ó diabo! Será que foi mau olhado?
Precisei de me inteirar sobre um assunto de há vários anos. Como tenho as compilações do RFX fui procurar e, no final do ano de 1995, sim mil novecentos noventa e cinco, vi algo que já tem 25, sim vinte e cinco, anos.
Fica aqui uma foto de um trecho e, abaixo, coloco alguns excertos descontextualizados, como agora é moda.
Aliás, o Hotel ainda não arrancou precisamente porque a Junta de Freguesia levantou algumas questões importantes ao projecto nessa altura. Não estou de acordo com a reconstrução do Hotel nos moldes que está projetada. Um hotel de setenta quartos não tem cabimento. Representa um investimento na casa dos quinhentos mil contos e não vejo em nenhuma área termal fazerem-se investimentos dessa ordem.
(...) Pensamos que o ideal seria algo mais pequeno(...). Com muito menos dinheiro pode-se criar no edifício actual, uma zona com trinta quartos, e talvez com menos salas do que este projeto.
Na possibilidade de querem ler a entrevista, ver Jornal RFX, passe a publicidade, de 1995.
E eu vou andando por aí, expectante, se alguém tirará a razão ao segundo filho do senhor Doutor dos Banhos
02 outubro 2021
554 - E então? Perceberam? O que é um verdadeiro Taipense.
![]() |
| Sítio da Freguesia |
24 setembro 2021
553 - Ajudando a perceber... cada vez menos (fim)
Ia virar para o parque e, na casa do Ti Manel Padre Santo, vi um sinal a proibir. Mau, que se passa? Segui em frente e fiquei baralhado. As letras diziam “Caldas das Taipas”, mas tinha canteiros com flores. Estaria nas Taipas? Vai daí virei à esquerda na rua que dá à escola do Pinheiral – como se dizia antigamente. Na rotunda via-se o monumento ao Cutileiro. C’os diabos, pensei - anda p’ra’í obra.
Segui em direção à Ribeira e fiquei preocupado. Onde estariam os galinheiros do ciclo – como se dizia antigamente. Tinha um edifício novo. Parecia uma escola de cidade. Continuei e virei na casa do senhor Américo do Questodinho – como se dizia antigamente – segui pela rua de Santo António e virei na rua da oficina dos Amâncios – como se dizia antigamente – para entrar no parque. Ao passar à casa do Enfermeiro Fonseca não vi o Estaleiro da Praça. Virei para o parque na mercearia do Palhas e, pelo espelho retrovisor, vi na praça um grande cartaz com jardins em relva e os talhos arranjados. O cartaz parecia mexer-se. Pensei: devo estar tolo.
A Alameda Rosas Guimarães tinha os canteiros centrais com bom aspeto e os passeios arranjados. Ao chegar à rua do Matadouro – como se dizia antigamente – vi que o último canteiro era apenas de acesso a peões, com bancos e tudo. Subi a alameda e vi que na praça não era um cartaz. O raio da praça estava bem amanhada.
Tentei virar para a Lameira, mas era proibido. Segui pela rua Padre Silva Gonçalves e, ao chegar à casa dos Palhas, vi um monumento em homenagem aos Combatentes. Segui para casa e a rua estava alcatroada até ao café do Tónio, onde me disseram que a da Laida e a da Aninhas Cartola também estavam.
Chegado a casa abracei o povo e deram-me mais novidades. Algumas nem queria acreditar, pelo que meti pés ao caminho, saí do loteamento para o Sequeiro e deram-me a novidade que já tinha saneamento. Saí na casa do Tio Bravo da minha mulher e, ao chegar ao Carlitos da Candidinha, virei para a rua do Rabelo. Tinha o paralelo direitinho. Desemboquei no cruzamento com a dos Cutileiros e, alto e para o baile - a praia Seca, estava um espetáculo. Aliás, a área estava o dobro, tinha um bar e umas casas de banho, a rua tinha sido requalificada, o passeio tinha sido completado até à ponte do Rabelo e havia árvores e relva semeada. Levaram-me por um caminho até ao Ave e seguimos por um trilho que ia até ao Parque. Pensei que era gozo - afinal não, ia até ao campismo, continuava pelo parque de lazer e ia até aos moinhos da Levada. Ora toma que já almoçaste.
Antes do campismo viramos para o horto comunitário. Cuidado, estava bonito, bem bonito e cuidado, hortaliças por tudo quanto era sítio. Disseram-me que as pessoas também se tinham mobilizado para fazer alguns canteiros na via pública, que havia uns dispensadores de sacos para dejetos de animais, um parque canino, e que os parques infantis tinham sido arranjados, entre muitas coisas mais.
Segui pelo Ribeirinho em direção aos Banhos Velhos e vi que estava um bocado confuso, diz que era por causa das obras do centro. Tinham começado pela Praça Conde de Agrolongo, descido a igreja até aos Banhos Novos, a rua do prédio do Leites – como se dizia antigamente – e iam até aos Banhos Velhos. Estavam a fazer muitos buracos porque estavam a instalar tudo novo no subsolo: esgotos, águas pluviais, canalizações elétricas, gás, enfim, muitas coisas que não se veem e que nem se deviam fazer em ano de eleições, disseram.
Não sou contra as obras de beneficiação, antes pelo contrário. Mas gostava de ter algo para recordar do passado. Disseram-me para ir à Pensão Vilas. Continuava a mesma ruína da última década.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
20 setembro 2021
552 - Ajudando a perceber... cada vez menos (vi)
E quando esses comentadeiros ou trauliteiros, exercem profissões de docência e perdem a decência, então a coisa fica preta. É que há uma grande diferença entre excessos em campanha, frente aos adeptos e esses mesmos excessos, frente a um teclado. E então, quando esses docentes, estão incapacitados para ensinar, então a coisa ainda é pior.
Estivéssemos nós, no tempo que eles querem que volte pra trás e não publicariam isso, porque o lápis azul, chamá-los-ia à razão.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
15 setembro 2021
551 - Ajudando a perceber... cada vez menos (V).
10 setembro 2021
550 - ajudando a perceber... cada vez menos (iv)
![]() |
| Foto: Charneca antes de cortarem as árvores |
03 setembro 2021
549 - Ajudando a perceber... cada vez menos (iii)
![]() |
| Foto: QV |
![]() |
| Foto: QV |
30 agosto 2021
548 - Ajudando a... perceber cada vez menos (ii)
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
26 agosto 2021
547 Cada vez percebo menos.
![]() |
| Foto: QV |
E o porquê de me recordar da frase do quadro que mantenho em casa? Se trocar algumas palavras, a frase poderia ser: Concordar com mentiras não, que é pecado. Desmascará-las, é perder tempo. Ou como soe dizer-se: é dar pérolas a porcos.
No entanto, perante a grande onda de desinformação que se espalha por todo o lado, sem custos para o utilizador, não resisto a colocar em reflexão, algumas das mentiras que p'ra''í andam. Fá-lo-ei em próximas garatujadas, mas gostava que os meus amigos fizessem um exercício mental, tipo sudoku ou palavras cruzadas, sobre a verborreia que por aí gravita.
Gente que saiu do armário, como se nunca lá estivesse; gente que não mexe uma palha e depois diz que carregou um camião de bois com centeio; gente que sempre ofendeu e blasfemou e agora defende e louva as mesmas pessoas; gente que nunca esteve interessada e agora diz que muito/sempre se interessou.
Nestas questiúnculas tudo serve para denegrir, para atacar e para ser juiz em causa própria e ofendido em causas que são de outros.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
08 maio 2021
546 - Agradecimento
Agradeço à sua mulher e minha cunhada, os anos que com ele viveu.
Agradeço aos meus sobrinhos José Luís e Sara Maria, os bons filhos que foram para ele.
Agradeço e ficarei refém desse agradecimento até que parta também, aos: 49 - 65 - 41 - 33 - 72 - 86 - 85 - 83 - 92 - 95 - 55 e 106, pela fidelidade demonstrada, apanágio de Homens fieis intérpretes da dignidade e da honra, que tanto os prejudicou.
Agradeço a todas e a todos que, ao longo da sua vida, foram seus amigos.
14 março 2021
545 - Por respeito (2)
Faz hoje um ano que coloquei esta mensagem no meu Vilasdastaipas. O que disse naquela, repito nesta. Tenho, porque não o perco, um enorme respeito pelo Dr. Mário Dias. Pelo Presidente da Junta que, após um ligeiro interregno de uma Comissão Administrativa, foi eleito para o lugar ocupado por quatro décadas pelo Vilinhas Pequenino.
Depois de ter aliviado do sofrimento muitas e muitas pessoas, sofreu para nos deixar faz hoje um ano.
Hoje como ontem, recordo o seu apoio e a sua crítica à atividade da sua Junta, com um simples telefonema, com uma mensagem breve. Parece que ainda o estou a ouvir:
Quim. Já disse ao Taibueiros. Está um buraco junto à...
Amigo, muitos buracos já foram tapados e todos os que aparecerem, também serão.
06 março 2021
544 - Mal prega frei Manel.
Nessa altura, embora o Padre António ainda fosse vivo, quem paroquiava a freguesia era o Dr. José de Jesus Ribeiro, homem inteligente, sabido, perspicaz e grande pregador. Ainda me lembro - porque meu Pai era quem lhe fazia os serviços de carro de aluguer - que era convidado amiudadas vezes para, do púlpito de diversas paróquias, prender os fieis com os seus sermões. Até a Cidade dos Arcebispos o acolheu várias vezes, na Semana Santa, para "pregar" na procissão do Enterro do Senhor. O Dr. Jesus Ribeiro defendia com ardor os temas abordados no sermão, não fora ele um servidor da Fé Cristã. Logo, acreditava na mensagem que passava para os fieis.
"Mal prega frei Manel" e com estas pregações, outra banhada se perspectiva.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
31 dezembro 2020
543 - Mais um.
Faltam algumas, poucas, horas para terminar mais um ano. Estamos prestes a dizer adeus ao 2020 e preparados para receber o 2021. Não com beijos e abraços, mas, digo eu, de braços abertos. Com coisas complicadas que se nos depararam neste ano que agora finda, mas com coisas positivas de que o mesmo também foi pródigo. E que continuará em 2021, com coisas negativas e positivas.
O covid continuará a andar por cá: a máscara continuará a fazer parte do nosso quotidiano; a desinfeção/lavagem frequente das mãos continuará; a proibição/não aconselhamento de ajuntamentos será um facto. Claro que isto será para mim e para outros como eu, porque há muita gente que acha que "a eles nada lhes pega".
Cá pelo nosso burgo, apesar destes constrangimentos e cuidados, o ano de 2020 foi pródigo em realizações. E o 2021 continuará a sê-lo: umas para continuar, outras para terminar. Sim, estou a falar de Obras. Com "O" grande. Obras almejadas e sonhadas - para não dizer reclamadas - por todos e que finalmente estão no terreno.
A requalificação do centro; a alameda Rosas Guimarães; a Praça. As duas primeiras executadas diretamente pela Câmara Municipal de Guimarães. A última, a expensas da Freguesia. Obras de que nos podemos orgulhar, porque todos as queríamos e todos as achamos necessárias. E quando digo todos, refiro-me mesmo a todos: aos eleitores, que viram nos programas eleitorais que sufragaram, anos a fio, estas obras. E votaram nos partidos, a contar com elas.
E quando alguns, agora, as dizem como não necessárias, extemporâneas, fora de tempo, só têm uma razão para o fazer: dor de cotovelo e pouco de Taipense(s).
Bom ano de 2021.
20 dezembro 2020
542 - 4 meses depois e muitos depois
Todos (?) andamos preocupados com o COVID. Ou, se não andamos, devíamos andar. Eu ando. Muito. A coisa não é para brincadeiras. Mas não vos vou falar/escrever sobre as cautelas a ter com o dito cujo. Não, não tenho competências para tal e, para dar palpites, já anda para aí gente demais. E há palpites a mais. E cada um deles diferente do anterior. O povinho quer é tempo de antena, para covidar e conseguir algum protagonismo. Vou falar não da prevenção mas das causas laterais do bicho.
De vez em quando toca o sino - mais alguém que partiu, mais alguém que nos deixou. Mais algum que deixou a família, a vida, a vila, os amigos. É e será a Lei da Vida: nascer, crescer e partir. Aparentemente tudo normal - é e será a Lei da Vida. No entanto, este maldito COVID, além de originar a partida de alguns, impede-nos de nos despedirmos de quem parte.
Na estação (Capela de S. Tomé) não podemos dizer o último adeus, confortar os familiares, recordar os bons momentos que passamos, dar aquele abraço aos familiares e derramar a última lágrima sobre os que partem. Tudo proibido, em nome da saúde pública.
Desde estes confinamentos que nos impedem de participar nestas cerimónias, que muitas e muitos de quem eu nos quereriamos despedir, partiram sem o podermos fazer. Sem poder abraçar os familiares, sem contar a última história, sem avivar a última lembrança.
Daqui, deste espaço, um abraço aos familiares dos que partiram, sem que eu pudesse despedir-me.
13 agosto 2020
541 - Aborrecidos
Usualmente, passando por alguém e depois do bom dia, boa tarde ou boa noite, "conforme a hora e o local onde nos encontramos" - como dizia o outro - costumo introduzir o "então tudo bem?" ao qual, algumas/muitas das pessoas respondem com um "que remédio", que me deixa sempre baralhado. Por vezes e se a confiança o permite, returco com um "que remédio, não, ainda bem. Que remédio seria se estivesses doentes e... não tivesses remédio".
Sei que as pessoas atiram com a resposta que detesto, sem que a frase queira definir um estado de espírito, mas, muitas vezes, respondemos com a negativa à frente. Resumindo: somos pessimistas por natureza. O pessimismo vem, sempre, antes do otimismo, mesmo que este seja mais forte em detrimento daquele. É feitio. Mau feitio, digo.
Há gente que está sempre enfadada, mal disposta, trombuda e contra tudo e contra todos. É feitio. Mau feitio digo. Lá pela Pensão Vilas, local onde nasci, tinha os dois estados de espírito: minha Mãe sempre pessimista; meu Pai, um otimista por natureza. A minha Mãe seria feitio; o meu Pai seria estado de espírito.
Eu, por vezes, também acordo para o lado contrário. E - por feitio, mau feitio - chego à avenida da República, de trombas e desanimado. Com o passar do dia, as trombas vão desaparecendo e volta o otimismo. Apesar dos pontapés. Apesar das caneladas. Apesar das calinadas. Estas - as calinadas - que ao princípio me aburrem, com o desenrolar do dia, vou "botando elas" pra trás das costas e deixam de ter importância. "São vozes de finos, que não chegam ao inferno." E eu lá vou andando; e muitos lá vão andando; e cada vez mais, lá vão andando. E os das calinadas, vão ficando, cada vez mais sós, mais tristes e mais amargurados. E esses, esses sim, é que têm razão para ficar enfadados, mal dispostos, trombudos e, acrescento tristes, e contra tudo e contra todos.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
06 agosto 2020
540 - As férias, por pouco tempo que seja, devem ser para desligar.
22 julho 2020
539 - O Jornaleiro, espécie em vias de extinção.
Mercê da minha bonita idade, passei por diversas
transformações da sociedade/vida dos portugueses e, portanto, da minha. Na
juventude e até aos 17 anos, os meses de verão eram passados na Piscina da
Junta de Turismo onde, entre dois mergulhos nas horas mais calmas, atendia os
Clientes no BAR, que meu Pai era arrendatário e a minha Mãe “a Patroa”.
Naquele local conheci e convivi com diversas mulheres e
homens que, nos meses de verão, angariavam meios de subsistência para passar um
inverno mais confortável: A Joaquina “Coturela”, a Rosa Magalhães, a Rosa da S’
Claudina, a Rosinha Jabeis, a S’ Maria Emília e tantas outras.
Nos homens o Sr. Neves, o Francisco, o S’David, o S’ Manel
Duarte, o irmãos Bento e Custódio Cunha, o Américo, o Joaquim “Pito” e outros
mais. Com todos convivi e com o Zé Pereira (filho da S’ Margarida Brinca)
aprendi a fazer as palavras cruzadas, arte em que ele era exímio.
Durante todo o ano o Ti Manel Padre Santo deambulava, dia e
noite, entre “o motor” e o resto do parque, ora vigiando para que a água não
faltasse na Piscina, ora impedindo que nós fossemos às castanhas.
Na parte exterior, já não me lembro se todo o ano se apenas
no verão, tínhamos os Jardineiros e os Jornaleiros. Na classe dos primeiros, ou
na primeira classe, o sempre resmungão João “do talho”, para quem nada estava
bem. Os jornaleiros, outra classe, cuidavam da limpeza do Parque e dos recintos
desportivos, mas não mexiam no Jardim. O S’ Manel “Chouriço” e o Ser’António
(de Souto) são os que melhor guardo na memória.
Esta última classe, “Os Jornaleiros”, paulatinamente foi
perdendo preponderância. As pessoas deixaram de ter quintais e “as jornas”
deixaram de se realizar, pese embora a classe de jornaleiros não fosse extinta
e ainda hoje exista, mas noutras missões. Estes jornaleiros eram bons Fazedores
de Buracos. De sachola em punho, procuravam e procuram escavar os buracos mais
recônditos. Catavam o bicho que, segundo eles, estragava a terra, e adubando-a
a seu bel-prazer criavam o cenário para dar o fruto que eles quisessem cultivar/fazer
crescer.
Os “Jornaleiros” e os “Fazedores de Buracos” ainda por aí
andam, mas a sua missão não é tratar a terra, antes pelo contrário, é criar a
aridez, para que os seus serviços não sejam dispensados nem eles caiam no
esquecimento e no desemprego.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando.
11 julho 2020
538 - Taipas Turitermas.
![]() |
| Documento "coleção privada" de QV |
29 junho 2020
537 - O Parque, as Noras, a Levada... e tudo o vento levou.
![]() |
| Foto: QV |
20 junho 2020
536 - Vai ou não vai?
![]() |
| Foto RFX |
Tenho pena. Lamento pela infelicidade dos outros. Há momentos em que, na
vida, sentimos alegria por algo que acontece. Não vou falar do nascimento -
nosso ou dos nossos filhos - do casamento, de e da, mas de uma coisa que TODOS
e reforço TODOS, os Taipenses que se prezem, devem sentir alegria e gritar alto e bom som: finalmente.
Exato cara e caro amigo. Hoje, como ontem, lembro a Lurdinhas do Peixe -
mãe do Chico Magalhães; o meu tio e padrinho - o Vilinhas Pequenino; a S'
Rosinha da Pita; o Manequinhas e o Zequinha do Talho.
Mas também a senhora Maria da Seara, a Engracinha do Canto e tantas outras
senhoras que me habituei a visitar nas segundas-feiras, dia "da
Praça". Historiador é o meu primo António José e malabaristas de
acontecimentos, outros mais que por aqui vamos lendo, mas a história daquela
"Praça", sem ressabiamentos doentios e outros "mentos" que
tais, é feita de pessoas, de gente, de povo, que ao longo de décadas por
ali andou.
Fruto do desenvolvimento natural, "a Praça" perdeu as feiras, das segundas. Continuaram ainda por alguns tempos os talhos, pela mão de alguns
herdeiros. Com o tempo também esses se foram. Como dizia ontem o Presidente da
Junta, excetuando o S. Pedro, "a Praça" serviu, num local central e emblemático
das Caldas, para estaleiro da Câmara e da Junta.
Ontem - e aqui o título do "Vai ou não vai" - o sonho de muitos,
que deveria ser de todos, tornou-se realidade. A requalificação do que se
designou chamar de "Mercado" vai avançar. O estaleiro vai acabar. Irá
existir "outro" estaleiro, para apoiar A Obra que vai nascer.
E aqui nasce a nódoa na camisa. Esquecendo que este projeto foi sufragado por
larga maioria de residentes, taipenses ou não, continuará a saga daqueles que
muito disseram iriam fazer "à Praça" e nunca tiveram engenho ou arte para lhe mexer numa palha.
Fruto da poupança de delegações de competências, dos anos de 2018 e 2019, a
que se juntará a de 2020 e ainda dum subsídio extraordinário, a requalificação
vai começar.
Em hora de alegria, de felicidade, pelo conseguido - que sem o pataco
compromissado não seria possível - haverá vozes ou escritos no anonimato a
contestar que "a Praça" volte à dignidade de outros tempos.
E eu vou andando por aí e, por simpatia, também vou assobiando

















